Datação por Radiocarbono e Arqueologia

  • A datação por radiocarbono enriqueceu a arqueologia, antropologia e muitas outras disciplinas.
  • O processo de datação por radiocarbono começa com a medição do carbono14, um isótopo de carbono levemente radioativo, seguido da calibração dos resultados de idade de radiocarbono a anos civis.
  • A relação da amostra com o seu contexto deve ser estabelecida antes da datação por carbono.
  • Os cientistas de laboratórios de datação por radiocarbono e os arqueólogos devem coordenar aspectos ligados à amostragem, armazenagem e outros assuntos para garantir um resultado significativo.
  • Os resultados da datação por radiocarbono podem ser “inaceitáveis arqueologicamente”.
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A história, antropologia e arqueologia são três áreas distintas de conhecimento, mas estreitamente relacionadas que ajudam a humanidade a compreender o presente a partir do passado. Os historiadores podem determinar quais culturas prosperaram em diferentes regiões e quando as mesmas se desintegraram. Os antropólogos podem descrever o caráter físico, a cultura e as relações ambientais e sociais de um povo. Os arqueólogos, por outro lado, fornecem provas de autenticidade de um determinado artefato ou desmentem descobertas históricas ou antropológicas.

Sem sombra de dúvida, a arqueologia enriqueceu a história da humanidade como nenhuma outra ciência. Uma grande parte do passado não registrado da humanidade foi desvendado pela arqueologia.

O estudo de atividades e restos materiais de vidas humanas do passado pode não parecer importante ou excitante para a pessoa comum, ao contrário das ciências biológicas. O objetivo da arqueologia de entender a humanidade é um esforço nobre que vai além de descobrir tesouros enterrados, da coleta de informações e datação de eventos. Ao descobrirmos o que fez com que culturas passadas deixassem de existir, podemos garantir que a história não se repita.

Ao longo dos anos, a arqueologia desvendou informações sobre culturas passadas que teriam permanecido desconhecidas se não fosse pela ajuda de tecnologias como a datação por radiocarbono, dendrocronologia, dataçãoarqueomagnética, datação de fluoreto, datação por luminescênciae análise de hidratação obsidiana, entre outras. A datação por radiocarbono existe há mais de 50 anos e revolucionou a arqueologia. A datação por carbono 14 continua sendo uma técnica muito eficaz, confiável e amplamente aplicável, com um valor inestimável para os arqueólogos e outros cientistas.

Conceito da Datação por Radiocarbono

O carbono 14 instável e radioativo, conhecido como radiocarbono, é um isótopo natural do elemento carbono. Quando um ser vivo morre, ele deixa de interagir com a biosfera e o carbono 14 do mesmo permanece inalterado pela biosfera, mas naturalmente começa a enfraquecer.

O enfraquecimento do carbono 14 leva milhares de anos e é esta maravilha da natureza que forma a base da datação por radiocarbono, fazendocom que esta técnica de análise seja uma ferramenta muito eficaz para desvendar o passado.

O processo de datação por radiocarbono começa com a análise do carbono 14 deixado na amostra. A proporção de carbono 14 na amostra examinada dá uma indicação do tempo decorrido desde a morte da fonte da amostra. Os resultados da datação por radiocarbono são divulgados em anos AP (Antes do Presente) não calibrados, onde AP é definido como 1950 DC. A calibração é então feita para converter os anos AP em anos civis. Esta informação é então relacionada a datas históricas conhecidas.

A Datação por Carbono é o Método Correto?

Antes de decidir sobre o uso da datação por carbono como um método analítico, um arqueólogo deve primeiro certificar-se de que os resultados da datação por radiocarbono após a calibração podem fornecer as respostas necessárias às questões arqueológicas que foram levantadas. A implicação do que é representado pela atividade de carbono 14 de uma amostra deve ser considerada.

A relação da amostra com o seu contexto nem sempre é simples. A idade de uma amostra pré-data o contexto no qual foi encontrada. Algumas amostras, tal como a madeira, param de interagir com a biosfera e tem uma idade aparente no momento de sua morte. Relacionar a idade dos depósitos ao redor da amostra não seria algo totalmente preciso. Há também casos em que a associação entre a amostra e o depósito não é aparente ou de fácil compreensão. Deve ser tomado muito cuidado quando relacionamos um evento com o contexto e o contexto com a amostra a ser analisada pela datação por radiocarbono.

Um arqueólogo também deve certificar-se de que somente as séries úteis de amostras sejam coletadas e analisadas pela datação por radiocarbono e não todo o material orgânico encontrado no local de escavação.

Contato entre os cientistas de radiocarbono e os arqueólogos

É importante que os cientistas de radiocarbono e os arqueólogos concordem com a estratégia de amostragem antes de começarem a escavação para que tempo, esforço e recursos não sejam desperdiçados e resultados significativos sejam alcançados após o processo de datação por carbono.

Deve ser enfatizado que os arqueólogos precisam interagir com os laboratórios de radiocarbono antes da escavação devido a diversos fatores:

a. Tipo, tamanho e embalagem da amostra

Os laboratórios têm limitações em termos das amostras que podem ser analisadas pela datação por radiocarbono. Alguns laboratórios, por exemplo, não datam carbonatos.

Os laboratórios também devem ser consultados quanto à quantidade ideal necessária de amostra, bem como sobre sua preferência em relação a certas amostras submetidas à datação por carbono. Alguns laboratórios aceitam madeira encharcada, enquanto que outros preferem receber a madeira seca.

b. Coleta de amostras

Contaminantes não devem ser introduzidos nas amostras durante a coleta e armazenagem. Hidrocarbonetos, cola, biocidas, glicol polietileno ou polivinilacetato não devem entrar em contato com amostras que serão submetidas à datação por radiocarbono. Outros contaminantes potenciais incluem o papel, papelão, algodão, barbante e cinzas de cigarro.

c. Armazenagem de amostras

As amostras devem ser envolvidas em materiais de embalagem que as protejam durante o transporte e armazenagens prolongadas. Os rótulos colocados nos materiais de embalagem não devem desbotar ou cair facilmente.

Recipientes de vidro podem ser usados para armazenar amostras que serão submetidas à datação por radiocarbono, mas os mesmos podem quebrar e não serempráticos ao lidar com amostras grandes. Os recipientes de alumínio com tampa de rosca são seguros, mas mesmo assim é melhor consultar o laboratório de radiocarbono sobre os melhores recipientes de amostras a serem utilizados.

d. Erros e calibração

Recomenda-se que os arqueólogos, ou qualquer outro cliente, perguntem ao laboratório se os resultados têm erros sistemáticos ou aleatórios. Eles também devem pedir detalhes sobre a calibração utilizada para a conversão dos anos AP a anos civis.

e. Custo

Esclareça os custos relacionados à datação de amostras por radiocarbono. Alguns laboratórios cobram mais pela análise de amostras que eles não processam regularmente

f. Período de tempo

A datação por radiocarbono leva tempo e os laboratórios muitas vezes têm listas de espera. Por esse motivo, esse fator deve ser considerado.

g. Identificação das amostras

O processo de datação por carbono é destrutivoe os laboratórios geralmente orientam seus clientes em relação à identificação e rotulagem da amostra. No entanto, o cliente fica responsável por certificar-se de que todas as amostras submetidas à datação por radiocarbono tenham sido rotuladas de forma adequada e correta, antes que a análise seja iniciada.

h. Tipos de contaminantes

A comunicação com os clientes também ajudam os laboratórios na identificação de possíveis contaminantes no local da escavação. Quando os cientistas identificam o tipo de contaminante, eles têm uma idéia dos métodos de pré-tratamento que precisam ser seguidos antes de começarem a datação por carbono.

i. Idade esperada da amostra

Os laboratórios perguntam aos clientes sobre a idade esperada das amostras submetidas à datação por radiocarbono para certificarem-se de que a contaminação cruzada seja evitada durante o processamento dasmesmas e que nenhuma amostra de idade substancial (mais de 10.000 anos) seja analisada depois de uma amostra recente.

Os laboratórios também procuram evitar o processamento de amostras que produzem faixas amplas de calendário em análises por radiocarbono. Os resultados de datação por radiocarbono têm valor insignificante nos casos em que a curva de calibração éefetivamente plana e todos os eventos do calendário no período em questão produzem mais ou menos a mesma idade de radiocarbono.

Resultados de Datação por Radiocarbono

A interpretação dos resultados da datação por radiocarbono não é simplese há momentos em que os arqueólogos consideram os resultados da datação por carbono 14 “arqueologicamente inaceitáveis”. Nestes casos, o arqueólogo rejeita os resultados da datação por radiocarbono na avaliação da cronologia do local da escavação.

Há muitas razões possíveis para que os resultados da datação por radiocarbono sejam considerados “inaceitáveis”. Pode haver um problema deposicional básico, uma contaminação insuspeita ou até mesmo um problema no laboratório. Em qualquer um dos casos, vale a pena considerar cuidadosamente porque os resultados da datação por radiocarbono foram considerados inaceitáveis.